Vladimir Nabokov Sobre A Importância da Releitura

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Vladimir Nabokov foi um escritor russo (1899-1977) cuja obra mais famosa – pelo menos aqui no Brasil – é o romance Lolita. Nabokov escreveu seus primeiros nove romances em russo e então chegou à fama internacional como um mestre estilista de prosa em inglês.

Durante duas décadas, Nabokov introduzia aos seus alunos de graduação os prazeres das grandes ficções através de aulas e palestras. No livro Lectures on Literature (Palestras sobre Literatura), que reúne a maioria dessas aulas, há um trecho onde o autor discorre sobre o tema do que é feito um bom leitor. Quais os elementos necessários para uma pessoa ser considerada uma boa leitora? A sua visão sobre a releitura é maravilhosa e não pude deixar de compartilhá-la com vocês.

A propósito, utilizo a palavra leitor muito vagamente. Curiosamente, uma pessoa não pode ler um livro: ela só pode relê-lo. Um bom leitor, um grande leitor, um leitor ativo e criativo é um releitor. E devo contar-lhe o porquê. Quando lemos um livro pela primeira vez, o processo laborioso de mover os olhos da esquerda para a direita, linha após linha, página após página, esse processo físico complicado de trabalhar sobre o livro, o processo de aprendizado em si, de aprender sobre o que o livro se trata temporalmente e espacialmente, ele se põe entre nós e o processo artístico de apreciação. Quando olhamos para uma pintura, não precisamos mover nossos olhos de uma maneira especial mesmo se, como num livro, a pintura contenha elementos de profundidade e desenvolvimento. O parâmetro tempo realmente não interfere num primeiro contato com uma pintura. Ao lermos um livro precisamos dedicar um tempo para nos familiarizarmos com ele. Não temos nenhum órgão físico (como temos os olhos em relação às pinturas) que olha a figura como um todo e, depois, pode observar os detalhes. Mas, numa segunda, terceira ou quarta leitura, nós podemos, de certo modo, comportarmo-nos em relação a um livro da mesma maneira que fazemos com uma pintura. Entretanto, não confudamos nossos olhos físicos, essa peça magistral e monstruosa da evolução, com nossa mente, uma conquista ainda mais monstruosa. Um livro, não importa o que ele seja – um trabalho de ficção ou científico (a linha tênue entre ambas não é tão clara como muitos acreditam) – um trabalho de ficção apela primeiramente para a mente. A mente, o cérebro, o topo da coluna vertebral é, ou deveria ser, o único instrumento usado sobre um livro.

O trecho acima eu traduzi do maravilhoso blog brainpickings, que está sempre repleto de maravilhosas reflexões.


About rltoscano

Nascido na cidade de Niterói em 1987, Rafael L. Toscano graduou-se em Ciência da Computação pela Universidade Federal Fluminense e trabalha atuando na própria área. Começou a escrever contos e poemas quando adolescente e guardava-os em diversos arquivos em seu computador ou num pequeno caderno. Em 2012 criou a página com o seu nome no Facebook, onde começou a publicar textos mais curtos sobre temas diversos. Mas foi em 2014 que passou a atualizá-la com maior frequência e a dedicar-se mais à sua maior paixão: a escrita.
Leitor e escritor apaixonado, Rafael é autor e desenvolvedor do site OToscano.com e está terminando o seu primeiro livro, um romance policial intitulado “Enforcados”.

2 comments:

    1. Obrigado pelo comentário, Milu.
      Eu fiquei um tempo sem escrever, organizando a “casa”, digamos assim, e voltei a escrever há pouco tempo.
      Assim que eu tiver notícias sobre o livro vou te atualizar, ok?

      Um grande abraço!

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